As atuações de Donald Trump e Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente podem ser boas para o futuro do planeta.
Antes de qualquer coisa quero deixar claro que não apoio as ideias deles nas questões ambientais, pelo contrário. Mas, a pesquisa e a análise sobre o que vem acontecendo me levam a propor uma reflexão um pouco diferente.
Para começar não podemos esquecer que Donald Trump e Jair Bolsonaro são dois homens de palavra quando o assunto é o meio ambiente. Tanto o presidente americano quanto o brasileiro se elegeram levantando a bandeira do negacionismo climático, corrente que alega não haver evidências físicas da influência humana nas mudanças do clima no planeta. Partindo desta premissa, tanto Trump quanto Bolsonaro prometeram diminuir exigências ambientais para produtores rurais e indústrias por meio de flexibilização de leis e da fiscalização, itens que estão sendo cumpridos.
Creio que muitos dos que hoje ficam abismados com as ideias, ações e declarações dos dois presidentes em relação ao meio ambiente não tenham prestado a devida atenção a isso durante a campanha. Ou se viram, imaginavam que se tratava apenas de uma estratégia para ganhar votos. Nada disso, ambos seguem a risca o que prometeram. E tanto lá como cá, o espanto só aumenta pois somos constantemente brindados por uma infinidade de bravatas, ofensas e fanfarronices relacionadas ao meio ambiente e aos que defendem ideias contrárias.
E aí é que surge o tal lado bom. Nunca assuntos como aquecimento global, sustentabilidade e preservação ambiental foram tão falados e comentados. Uma percepção que tenho há algum tempo e que agora podem ser comprovadas.
Nos Estados Unidos uma pesquisa da Universidade de Yale mostrou que a porcentagem de americanos que consideram o aquecimento global como algo importante saltou de 61 para 72% nos últimos dois anos. Para os pesquisadores a influência das posturas de Trump em relação ao assunto são determinantes: “Toda a vez que ele fala sobre mudança climática ele direciona mais atenção da mídia para o assunto”, afirmou um dos coordenadores da pesquisa, Anthony Leiserowitz, em uma entrevista ao New York Times.
Aqui no Brasil o Datafolha também aponta um caminho parecido. Uma pesquisa feita no início de setembro mostra que 21% consideram a política ambiental de Jair Bolsonaro como ótima ou boa. Em 2009, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a mesma pergunta foi feita pelo Datafolha e 20% das pessoas diziam aprovar a atuação do governo petista em prol do meio ambiente. A diferença está na outra ponta. 49% vêem a atuação do governo Bolsonaro como ruim ou péssima na questão ambiental; eram 2% dez anos atrás. Ou seja, o que mudou neste tempo é que tem bem menos gente em cima do muro. É possível checar isso no dia-a-dia. Afinal, meio ambiente não só virou pauta constante na mídia, como inundou as redes sociais e até as conversas de bar.
Então, isso quer dizer que figuras como Trump e Bolsonaro são boas para o ativismo ambiental?
Minha pesquisa e o que venho percebendo no cotidiano me levam a acreditar que sim. Sempre defendi que a conscientização é parte fundamental para qualquer solução de problemas como aquecimento global e preservação da natureza.
E que a política, na definição pura, é forma mais concreta para combater as mudanças climáticas.
Portanto, se por um lado a ação e as palavras de líderes ambientalmente incorretos geram temor, por outro tem grande potencial para gerar o despertar e o engajamento das pessoas que vêem o mundo de forma diferente.

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